.....................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Viver mais e melhor.


-Tumblr-

Este post veio à propósito da nova data criada no calendário para celebrações, O dia dos avós, comemorado alegremente, na maioria, por pessoas de meia idade neste 26 de julho, e lembrando-me de uma entrevista que ouvi da médica brasileira, especialista em Geriatria e consultoria aplicada para a Longevidade, a Dra. Andrea Prates, juntando agora com a edição da revista Época desta semana, que dedica a sua reportagem de capa sobre a busca do segredo dos octogenários que são independentes, produtivos – e felizes. A Universidade de São Paulo cadastrou 130 idosos para estudá-los, entre eles o cardiologista Adib Jatene, o economista Delfim Netto, a atriz Beatriz Segall, a bailarina Ruth Rachou, a professora Cleonice Berardinelli e o escritor Zuenir Ventura.
Exemplos vivos do que vem a ser longevidade nos dias atuais e pessoas inspiradoras para podermos pensar em como viver bem e mais, sendo ou não avô ou avó.

Uma coisa é viver bastante e outra, viver plenamente. Longevidade é viver muito e bem,e é uma oportunidade que estamos tendo agora, de mais vida do que o homem teve nos séculos anteriores.

Estudos científicos comprovam que hoje já vivemos 30 anos a mais do que nossos avós viveram, então o que fazer com esta maravilhosa oportunidade?

Na semana passada em que nos despedimos de três grandes personalidades brasileiras e ainda bastante ativas culturalmente, como foram João Ubaldo Ribeiro (73 anos),  Ariano Suassuna (80 anos) e Rubem Alves (81 anos), este último já com o Mal de Parkinson, mas demonstrava muita vida e lucidez dentro daquele corpo que já não comportava tanto aquilo. 

Disse ele em "Do Universo à Jabuticaba":  "Acabo de voltar de minha longa e cansativa caminhada uma única volta no quarteirão onde vivo ... E não sem cuidadosas precauções. É preciso estar atento aos transeuntes enquanto se anda.  Para evitar colisões. Uma colisão entre jovens é apenas uma colisão. Mas, quando é um velho que colide com um jovem ou uma criança, pode acontecer uma fratura ...
Calçadas são armadilhas, buracos e pedras que desequilibram os pés.  Por isso é importante não largar a bengala que, além de contribuir para o equilíbrio, dá como consolo, um certo ar de dignidade."

E para que esta nova safra de pessoas com idade superior a 50 anos e que está querendo se preparar e ser parceira do tempo aceitando com vigor a velhice, faz-se necessário que haja pequenas intervenções favoráveis para se viver bem e dignamente. Intervenções feitas pela sociedade e pelas instituições, facilitando a vida das pessoas, dando mais mobilidade, como: um entorno mais favorável com calçadas sem buracos e desníveis; veículos urbanos que facilitem a subida e descida sem acidentes; semáforos que demorem um pouco mais de tempo para que as pessoas possam atravessar com calma as ruas, enfim, projetos de cidades amigas dos idosos que não tenham tantos ambientes desfavoráveis e estressantes.

A médica Andrea Prates frisou em sua entrevista a palavra Resiliência, que é  basicamente um conceito de darmos a volta por cima em algumas coisas, manter os projetos de vida, ter curiosidade, estar abertos a manter as amizades ou fazer novas, ter uma rede de apoio na família e na sociedade, manter sempre a função intelectual, refletir sobre a sociedade, exercitar o cérebro e o físico, não perder o bom humor, ser mais positivo e alegre, se conseguirmos fazer as conexões entre os neurônios e prolongar, digamos a memória, e esta função cognitiva e intelectual, teremos assim uma maior sobrevida neste processo de 'reinvenção da velhice'.

Existem também conceitos que precisam ser remodelados em nossa sociedade ainda muito preconceituosa, pois criança é criança, jovem é jovem e velho é velho, oras!  Porquê temos que inventar um monte de nomes para mascarar esta fase da vida?
Agora é Terceira Idade, Melhor Idade, Feliz Idade, termos preconceituosos, afinal vemos aí afora pessoas com mais de 60 anos até, e participando de maratonas, palestras, política ...

A vida passa muito rápido e acaba num piscar de olhos. À medida que vamos envelhecendo, temos mais saudades do passado e mais desejamos fazer o relógio andar para trás, porém sabemos que isto não é possível, o presente tem que ser vivido e o futuro nos espera, no entanto devemos observar e nos inspirar no exemplo de pessoas que conseguiram superar as dificuldades com resiliência, apesar de alguns problemas, como é o caso de quem sofreu um câncer, um enfarto, a perda de um ente amado precocemente ou violentamente, mas superou com vontade de viver em plenitude a vida concedida, buscando coisas que realmente gostem de fazer, ter um encanto pela vida, nunca esquecendo de que tudo vai depender muito de nossa postura diante dela para a tão sonhada longevidade.











Hoje, no Estadão, uma matéria interessante para as mulheres,- a nutrição que impede o envelhecimento precoce através do combate aos radicais livres - Veja Aqui.

E AQUI o primeiro condomínio construído para idosos no Brasil.













quinta-feira, 24 de julho de 2014

Cadê a Confeitaria que estava aqui???


Uma tendência que vem acontecendo na América do Norte e no Leste Europeu, e que chamam 'gentrificação', tem crescido aqui no país também e no Rio de Janeiro, assustadoramente. Já não vemos mais nenhuma portinha escrito em cima "Sapateiro", por exemplo, em bairros como o Leblon ou qualquer outro bairro que a dinâmica imobiliária abusiva e os projetos de intervenção urbana, como o tal Porto Maravilha se estabelecem sem nenhuma cerimônia e somem com nossos prédios ou serviços tradicionais. E mesmo a expansão dos investimentos imobiliários, cada vez mais caros, pros lados da Barra da Tijuca, seguem galopantes, tudo em nome das obras para os Jogos Olímpicos de 2016.

Já imaginaram ter que pagar um aluguel de 40 mil reais por um estabelecimento no centro de uma cidade como o Rio de Janeiro nos dias de hoje?  Não é invenção, ouvi hoje no rádio, a dona de uma das mais tradicionais confeitarias da cidade, a Manon, antiga Cave, ponto tradicional do Rio há mais de 70 anos e que está fechando suas portas.

A Manon é conhecida por seu Madrilenho, um pão doce especial cuja receita é guardada a sete chaves. Carlos Drumond de Andrade e Manuel Bandeira foram clientes da confeitaria que tem em sua arquitetura uma réplica do restaurante do navio Serpa, que fazia a travessia Lisboa-Rio na década de 1930.


O Rio, como sabem, é uma cidade que apresenta ainda cenários de um passado histórico e que tem grande peso na memória coletiva, não só dos cariocas, como de todos os brasileiros. Assistir o crescimento deste fenômeno que apaga o passado para dar lugar à modernidade globalizada que está por todo este mundo, deixa-nos mais pobres culturalmente e dá uma saudade infinita dos tempos da gentileza. O resultado é isso que vemos, a homogeneização de paisagens comerciais e residenciais ao redor do mundo deixando tudo muito chato e igual. Já repararam como os Shoppings são iguais em quase todo o mundo? Até as confeitarias já têm agora um jeito parecido e modernizado, como: Empório dos Pães, Armazém do Café, Estação do Pão, e é um tal de Gourmet pra tudo, Café Gourmet, Pão Gourmet, Cerveja Gourmet, tudo igualzinho sem aquele aconchego dos antigos cafés, bares e padarias.


Ainda temos a beleza de uma Confeitaria como a Colombo que resiste estoicamente a toda esta vergonhosa especulação imobiliária e que vale a pena visitar vez ou outra, como eu mesma faço, para relembrar quando o meu pai levava a mim e meus irmãos para um passeio no final de semana, de bonde até o centro do Rio e com a maior satisfação e orgulho pedia ao garçom: Seu garçom, por favor, três médias de café com leite, pãozinho na chapa pra ele e pães doces para nós.  Eu, sonhadora como sempre, olhava abobalhada observando ao redor e imaginando um senhor elegante, quem sabe Machado de Assis nos olhando na outra mesinha. Poderia ser comparado ao filme de Woody Allen num café da Belle Époque.

A proprietária da Confeitaria Manon/Cavé estava desolada ao confirmar  para o repórter que a entrevistava, que, para renovar seu contrato teria que desembolsar 40 mil mensalmente e deixou uma pergunta no ar:

"Quem pode abrir todos os dias um comércio pensando que já tem uma dívida de 40 mil reais no mês?"

Enquanto ainda existem e persistem a beleza de alguns lindos prédios desses por aí, aproveitemos!

E onde você mora, tem acontecido muito esta coisa de nome esquisito - Gentrificação -?








Saudade da Sears, da Mesbla, da Sloper ...

E falando de passado, estou hoje lá no Blog da Anne Lieri, contando um pouquinho da minha infância, passa lá pra ver.




Imagens Google







quarta-feira, 23 de julho de 2014

Solidão amiga.

-Pinterest-


É raro alguém dizer que gosta de solidão. Mas o contrário; dizer que gosta de estar só algumas vezes eu já ouvi e compactuo com esta ideia, porque necessito disso na minha vida, é tão essencial quanto estar junto de amigos ou família. Preciso das duas coisas em doses bem divididas, porque já aprendi que a solidão também pode ser amiga.

* * * *

Você conseguiria viver no meio do nada, escondido de tudo e todos?  Sem internet ou eletricidade, a ilha de Elliðaey, no sul da Islândia, proporciona essa experiência a algumas pessoas. O local, que somente é cercado pelas águas do oceano Atlântico, abriga uma casa considerada a mais isolada do mundo.
A área serve de alojamento para caçadores especializados em capturar papagaios-do-mar durante a alta temporada. Há cerca de 300 anos, a ilha chegou a abrigar uma comunidade com cinco famílias, que viviam da criação de gado, da pesca e da caça de aves. Entretanto, o local não favorecia essas culturas e as famílias tiveram que se mudar.
Foi na década de 50 que a Associação de Caça de Elliðaey montou o alojamento, que é utilizado até hoje. A água potável para consumo dos caçadores é recolhida a partir da atmosfera, por um sistema de coleta feito especialmente para o local. Se você se animou para conhecer a ilha, infelizmente só os membros associados têm essa oportunidade. Abaixo, algumas imagens da “casa de Bjork”, como é conhecida na região.
(Via)





Nesta semana em que Rubem Alves despediu-se deste nosso mundo, vários lindos e inspiradores textos têm sido compartilhados na rede social e para ilustrar este tema, fica aqui algumas colocações suas sobre a Solidão que pode ser amiga.


". . . Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim: 


“Por muito tempo achei que a ausência é falta. 
E lastimava, ignorante, a falta. 
Hoje não a lastimo. 
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. 
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, 
que rio e danço e invento exclamações alegres, 
porque a ausência, essa ausência assimilada, 
ninguém a rouba mais de mim.!“ 

Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. . . ."



". . . O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão... 


A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira. . . ."

* * * * * * * * * *


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Da glória ao castigo.

Tumblr.

Perder o sono às vezes não é tão mal assim, principalmente se vemos e ouvimos coisas que fazem vibrar a mais profunda compaixão dentro de nós. Pois foi exatamente isto que eu senti, chegando a me emocionar quando voltei pra cama e fiquei pensando naquela pessoa, na sua história e no que ele levou para toda sua vida, depois do fatídico episódio que aconteceu na primeira Copa do Mundo feita no Brasil, mais precisamente no dia 16 de julho de 1950.



A Seleção Brasileira disputou no Maracanã cinco partidas de seis durante toda a Copa. Na partida final, foi registrado oficialmente o público recorde de 199.854 torcedores presentes.  Nesta decisão, o Brasil foi derrotado de virada por 2 a 1 para o Uruguai.  A derrota em solo nacional ficou marcada na história do povo brasileiro, sendo conhecida popularmente como o "Maracanazzo".(via Wikipédia)

A pressão sobre os jogadores já era grande, e prova disso foi o discurso do prefeito do Rio de Janeiro, General Mendes de Moraes, que declarou antes do inicio do jogo: “Cumpri minha promessa construindo esse estádio. Agora, façam o seu dever ganhando o campeonato”.  É mole!!!

E quem foi o goleiro desta nefasta partida que ficou para sempre na memória viva daquele estádio?

Seu nome era Moacir Barbosa, o goleiro que diante da maior platéia reunida para testemunhar a decisão da Copa de 50, selou para sempre a sua sorte e nunca mais teve paz interior, sempre o perseguiu a sombra dolorida dos dois gols sofridos.

O goleiro Barbosa ficou conhecido como " O homem que fez o Brasil chorar" e tanto naquela época quanto hoje, o brasileiro, movido pela paixão do futebol, fez suscitar uma jornada quase filosófica por temas como nacionalismo, racismo e culpa individual. Sendo que atualmente, os jogadores podem se dar ao luxo de terem ajuda psicológica como foi com esta nossa seleção que tomou de 7 a 1 da Alemanha, deixando o time e sua comissão técnica bastante desestabilizados. 
Porém, naqueles idos dos 50, sem televisão e com aquelas milhares de pessoas presentes ao estádio, únicos que puderam presenciar aquele momento chocante e triste para uma nação, em que não apenas os jogadores ficaram afetados psicologicamente quanto muitas pessoas daquelas que depositaram toda a esperança e a tentativa de afirmação do Brasil através do futebol para o resto do mundo.

O documentário que assisti nesta noite pela ESPN, dizia deste homem e seu sofrimento e do abandono que sofreu após este dia fatídico, tanto pelos seus amigos de profissão quanto pelo povo brasileiro.

É inevitável a comparação com os dias atuais, em que os jogadores, mesmo sofrendo uma derrota como esta em campo, continuam suas vidas de luxo, com seus altos salários, mansões e iates, sem contar o que recebem por fora em prêmios e contratos com marcas internacionais em propagandas.

Naquele tempo, não tinha esta exposição de mídia, este merchandising todo, e muitos daqueles jogadores morreram pobres como o próprio Mané Garrincha, grande craque. Eles recebiam uma ajuda mínima de custo para jogarem e o próprio Barbosa, voltou para casa depois desta partida, de trem, coisa inimaginável para um jogador de seleção brasileira de hoje.
Fatos interessantes foram contados neste documentário e que parecem até lendas, um deles foi que Barbosa usou a madeira da trave do gol do uruguaio Ghiggia sobre ele, para fazer um churrasco para seus amigos do bairro de Ramos em que morou por longos anos. Uma tentativa de queimar a lembrança terrível que o perseguiu sempre.
Em outro, aconteceu três dias depois do final da Copa e Barbosa ia de trem para o interior para um retiro de descanso, quando ouviu um torcedor mais à frente, conversando com outro, dizendo em alto e bom tom que gostaria de surrar o goleiro da seleção.
Então, Barbosa tirou o rosto de trás de um jornal e se apresentou, dizendo: "Por um acaso o senhor está me procurando?" - o valentão simplesmente pulou pela janela do trem em movimento.

Talvez o que mais magoou seu coração foi a história que o jornalista Mário Magalhães contou sobre o que presenciou em 1993, na Granja Comary, quando Barbosa tentou cumprimentar e falar com o goleiro Taffarel e o técnico Parreira não o deixou se aproximar, e o velho goleiro, intimidado e humilhado, não insistiu. Disse, Solange, sua filha adotiva, que este episódio foi o que mais arrancou lágrimas em Barbosa.

Coitado do Barbosa, que cruz pesada carregou por toda sua vida!  Numa entrevista ele afirmou: "A pena máxima no Brasil é de 30 anos, mas eu já paguei mais do que isso!"

Moacir Barbosa, o arqueiro negro de 50, faleceu no dia 7 de abril de 2000, aos 79 anos, em Praia Grande, litoral de São Paulo.

Fiz este post para homenageá-lo e relembrar este fato com tanto significado simbólico e histórico, para comparar os ídolos que vão da glória ao castigo de uma hora pra outra. Repensarmos na dor, sofrimento e alegrias que cada um de nós leva em seu íntimo.

E descobri o livro que fala sobre a vida deste homem que carregou uma culpa até o fim da vida, pois que culpa não havia, já que em futebol se perde ou se ganha, e ponto final.

"Certamente, a criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Ghiggia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais vejo o lance, mais o absolvo. Aquele jogo o Brasil perdeu na véspera."
(Armando Nogueira)








quarta-feira, 16 de julho de 2014

Portas do coração.


Portas são como o coração humano, abertas para deixar entrar coisas boas e fechadas para guardar o melhor em nós ou para que o mal nunca adentre.
Eu sou atraída por belas portas e ao ver hoje estes versinhos que me lembrou de um tempo bom, venho apresentá-los a algumas destas que fazem parte do meu álbum de figurinhas do Pinterest.  

A Porta
Vinicius de Moraes



"Eu sou feita de madeira

Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!"


Se quiserem conhecer meu álbum é só clicar AQUI.







sábado, 12 de julho de 2014

Brincando com Tags

Faz tempo eu não brinco por aqui, tenho até recebido convites, mas como pratico agora o SlowBlog e viajo todo final de semana, não crio compromissos que não posso cumprir, mas esta semana, dois convites foram feitos e, como tenho novos amigos que me seguem atualmente, resolvi aceitá-los, pois é uma forma interessante de conhecerem melhor sobre o que sinto e penso.

A Ana do Blog Rocanna convidou-me  para responder uma "Tag" com seis perguntas e aí vão elas:



O mundo seria muito mais feliz se ...
as pessoas olhassem menos para o seu próprio umbigo.

Uma amizade é realmente importante quando ...
está sempre pronta para ouvir ou dar o ombro.

Paciência e tolerância são para mim ...
algo importante e que geralmente aprendemos com a idade.

Algo que me irrita profundamente é ...
pessoas que não prestam atenção aos que lhe falam.

Acho que as pessoas mais humildes ...
são mais autênticas e acessíveis.

Quando o dia amanhece nublado eu ...
encaro da mesma forma, pois pra mim a felicidade é estar viva mais um dia.

Uma qualidade indispensável nas pessoas é ...
a compaixão.


A brincadeira é repassar para mais seis amigos blogueiros para conhecer um pouquinho mais deles. São:

Bill
- Norma
- Paula
- Célia
- Teresinha
- Ivone

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E outra amiguinha super simpática, a Selminha, me convidou para mais uma brincadeira de Tag, algo parecido com aquele tempo dos caderninhos de perguntas e respostas no tempo de adolescentes, e resolvi entrar nessa também. Aí vão as respostas:

Me expresso melhor ............................................. conversando, falando tête à tête.
Sou muito .................................................. elétrica, ligadona.
Acredito demais ................................................ numa força superior que chamamos Deus.
Adoro fazer ............................................... leituras, pela Net ou por livros.
Tudo para mim tem que ter ................................ Carinho, ser bem feito.
Ansiedade ................................................ já tive, mas com a idade aprendi a me controlar.
Me contento .......................................... com coisas simples e de bom gosto.
Sou casada .................................... com um Canceriano, Engenheiro e muito amável homem.
Um hobby ................................................ pinturinhas e coleções.
Adoro ................................................................. um docinho todos os dias.
Enjôo .................................................. de gente hipócrita e pessimista.




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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Meus pensamentos me levam aonde quero estar.



É para a Toscana que viajo em pensamentos quando quero fugir para um lugar mágico, quase de sonhos. Dá até para sentir o sol dourado no meu rosto se fecho os olhos, voar sobre aquelas extensas colinas de vinhedos, de oliveiras prateadas e caminhos de ciprestes altos e pontiagudos. Sinto o frio da tarde caindo sobre as praças lotadas de gente de todos os lugares do mundo, encantados com a história sob os seus pés, a arquitetura renascentista e outros elementos da doce Itália e la dolce vita. A pequena fila para ver a mais bela de todas as esculturas de Michelângelo, seu David de puro mármore e encantamento.  As ruas estreitas, os sobradinhos com roupas penduradas nas varandas e flores, sempre flores enfeitando as sacadas ou as portas de entradas de casas antigas.  Revejo o gato branco no meio das papoulas coloridas do jardim do hotel em que ficamos em Firenze, o vinho delicioso servido para nós no final da tarde, sentados e olhando de cima os caminhos repletos de ciprestes, paz e beleza, uma junção suprema.  E até o gostinho do gelato de frutas silvestres eu posso sentir, se apertar mais os olhos e me entregar totalmente a esta viagem marcante, inesquecível.

"Não me deixe ir...posso nunca mais voltar!"
Clarice Lispector

Florença

 Siena

Florença

Monticchiello e Bagno Vignoni

Montalcino




Meus pensamentos tomam forma e eu viajo 
Eu vou prá onde Deus quiser 
Um video tape que dentro de mim 
Retrata todo meu inconsciente 
De maneira natural 
Ah! Tô indo agora prá um lugar todinho meu 
Quero uma rede preguiçosa prá deitar 
Em minha volta sinfonia de pardais 
Cantando para a Majestade, o Sabiá 

........................................
Esta viagem dentro de mim foi tão linda 
Vou voltar à realidade prá este mundo de Deus 
É que o meu eu este tão desconhecido 
jamais será traído pois este mundo sou eu ...


(Majestade, O Sabiá-Chitãozinho e Xororó)