.....................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Lembranças e saudade companheiras.



Dizem hoje em dia, que relembrar o passado não é coisa boa, que é mania de velho, que devemos viver o hoje e esquecer tudo o que passou e fazer do momento presente o mais importante de nossas vidas. Será mesmo!?

Sei não! Como poderei enterrar minhas lembranças mais queridas e até mesmo as mais doridas se sou feita delas e as mesmas agora, me fazem feliz ao relembrar. Simplesmente porque foram momentos únicos, tão meus e tão queridos, afirmando que tive amigos, família, vida com conforto e carinho, comida na mesa, escola e lazeres.  Foi a vida que Deus me concedeu e que eu trilhei e fiz escolhas, algumas não deram certo, mas posso garantir que a maioria delas me foram proveitosas.

E porquê estou falando sobre lembranças agora? Por que noutro dia, ao entrar numa dessas novas salas de cinema, até confortável em comparação com algumas por aí, lembrei-me da inexplicável sensação de como eram as salas de cinema nos anos 70, aquelas grandes, com cortinas de veludo e chão de tapete macio, onde os pés afundavam ao andarmos e, se já estivesse escura a sala, um lanterninha nos acompanhava com a luz azul iluminando nosso caminho até a poltrona vazia. Era um ambiente completamente diferente do que vemos hoje e que os mais jovenzinhos nem têm ideia, já nasceram e cresceram vendo películas nestas salas, embora tenha algumas incríveis, com cadeiras super confortáveis, com lugar para o mega pote de pipoca e o blaster copo de refrigerante. E ainda tem o som supersônico de arrasar quarteirão, o suficiente para  deixar qualquer um surdo de uma vez por todas com estes filmes épicos, de ficção ou aventura. Noutro dia, num simples trailler de um tal Hércules, quase tive que ir direto para o otorrino. Era só barulho ou grunhidos no mais alto grau.

Como não lembrar com saudade daqueles cinemas da Tijuca, o maior deles talvez, o Cine Metro Tijuca, com seu ar condicionado perfeito e a abertura do Canal 100, mostrando nossos jogadores mais talentosos em closes inusitados de suas pernas, das torcidas nos estádios, tudo embalado pelo sambinha de fundo que todos se animavam antes do filmes, "Que bonito é...!"

E tinha um breve noticiário, das coisas que estavam acontecendo pelo mundo afora e que chegavam pra gente com um certo atraso de tempo, mas nada que nos fizesse ficar fora do ar ou perdidos no tempo. Lembro-me de um avião enorme que vinha se aproximando da tela e, de repente, alçava voo sobre as nossas cabeças, sem 3D, com a mais simples emoção do que a tela grande proporcionava.
Invariavelmente, eu me abaixava na poltrona, boba que nem só!
Saindo dali, o must era ir tomar milk shake ou sundae de chocolate no Café Palheta, reduto dos playboyzinhos e patricinhas da época.

Lembranças não são ativadas só nos mais velhos, e prova disso é que esta semana, duas jovens que moram fora do país, comentaram, emocionadas, num post que fiz no Facebook, mostrando apenas uma imagem e perguntando se alguém conhecia aquela frutinha. Uma dessas amigas, chegou às lágrimas com a saudade que sentiu, ao relembrar sua mãe, fazendo sempre para a família, o doce daquele fruto, o Cupuaçu, que os nortistas conhecem bem e lembram de seu sabor pro resto dos seus dias, um sabor atávico, de lembranças doces e emocionantes. Como o tempo passa rapidamente, os mais jovens já têm saudade de suas lembranças também.

Eu quero lembrar sempre dessas coisas boas que ficaram em minha vida. Quero lembrar, quando fecho os olhos e busco na memória olfativa, o sabor adocicado do pão doce vendido na porta de casa por um padeiro; quero lembrar das flores que meu pai trazia aos finais de semana para enfeitar nossa casa; quero lembrar de músicas que embalaram meus sonhos de adolescente aos sons dos Beatles e Rolling Stones; quero lembrar do cheirinho do pó de arroz Promessa e batom Helena Rubinstein que minha mãe usava ao sair conosco para passeios nos finais de semana; quero lembrar da sala de aula do primeiro colégio, as carteiras em madeira, duplas, compartilhada com um coleguinha; do cheiro do material novo do início de ano letivo; da minha pasta de couro e dos meus lápis de cores lindos, dentro de uma caixa especial; lembrar de um sapato de verniz, estilo boneca, na cor do sorvete Kibon de creme que eu adorava; lembrar de uma ida à praça principal do bairro que tinha um lambe-lambe e que fez algumas fotos bizarras da família, meu irmão com os olhos arregalados, minha irmã com cara de sono, segurando uma boneca que tinha ganhado no Natal e eu, também segurando minha boneca natalina e usando uma saia com manchas preto e brancas, lembrando uma vaca malhada, uma coisa horrorosa, mas que eu achava o máximo na minha ingenuidade infantil com meus cabelos fininhos arrumados num permanente que minha mãe insistia em fazer nos meus cabelos escorridos e sem volume; lembrar do primeiro telefone preto e pesado da casa de meus pais; da televisão com caixa enorme em preto e branco que causou enorme espanto e magia entre todos nós; lembrar dos lotações e dos bondes e da gentileza que permeava as relações do povo carioca naqueles velhos tempos. Saudade infinita e boa!

Tantas lembranças, tantas emoções, parecendo mais aquela música piegas do Roberto Carlos, mas que eu não vou deixar de lembrar com carinho enquanto viver, são mágicas e risonhas,  pois as coisas tristes eu tenho a capacidade de não relembrar, parecem que não existiram ou foram deletadas desta maravilha que é meu cérebro. As boas lembranças, em determinados dias, são como um rio caudaloso, escorrendo pra dentro de mim mesma, fortalecendo minha gratidão eterna pelas graças recebidas.
Cenas infantis da página Les Anées, Facebook
'' Hoje ando melancólica e suspirosa.
Choveu muito, a água invadiu este porão de lembranças, boiam na enxurrada a caminho do rio. 

Deixo que naveguem, pois não as perderei. 
O rio é dentro de mim. '' 

Adélia Prado 












segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A discórdia que traz o desenvolvimento.



"O Rio Tapajós corre em tom esverdeado cortando a floresta amazônica. Depois de cerca de uma hora de viagem, avista-se, no alto de sua margem direita, um conjunto de casas que forma a aldeia Sawré Muybu. O barco encosta na beira do rio, onde a trilha por um morro alto leva ao centro da aldeia. A subida é tão árdua que é difícil acreditar que essa aldeia pode ser alagada, caso a Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós venha a ser construída."

Através desta descrição lá no site do GreenPeace, fui visitar a tal aldeia, pelo Google que é mais rápido. E a impressão é de que uma Macondo de Gabriel Garcia Márquez reside naquele longínquo local do Amazonas, onde milhares de índios, lutam a cada dia pela sua terra querida que em breve será alagada para a construção de uma das hidrelétricas que o governo pretende implantar por lá.


Vejam o comentário de um homem que mora lá e que colhi no site do GreenPeace pelo Facebook. Ele fala o que vê e sente por estar inserido no contexto:

"Prenderam alguns donos das empresas que constroem hidrelétricas na Amazônia. Aqui no rio Tapajós querem construir umas cinco. A Dilma não quer nem saber se os ribeirinhos,extrativistas e indígenas irão sofrer com danos sociais,ambientais e econômicos.Nós da Amazônia nem somos beneficiados porque a energia vai toda para as outras regiões do país.O linhão de Tucuruí passa aqui no municipio onde moro, está sendo levada para outros estados.Enquanto isso aqui pagamos uma energia cara e de péssima qualidade... "

Talvez, se imaginarmos 75 mil campos de futebol alagados, tenhamos a ideia, rasa,  do que consistem estes mega projetos de Usinas Hidrelétricas (7 ao todo), entre o Xingu e Tocantins, terras paraenses onde vivem os verdadeiros donos da terra - os índios brasileiros.

Num país tão rico em energia natural, temos sol e vento à vontade, insisto na pergunta: Porque a matriz energética do Brasil tem que ser baseada em hidrelétricas?  Vemos a cada dia que uma das graves consequências do desmatamento na Amazônia é a falta e água nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Cientistas indicam que o desmatamento da Amazônia causa a desertificação dos estados e vários outros países da América do Sul também sofrem essas consequências. Grande parte da água das chuvas dessas regiões vêm da floresta, através de um fenômeno chamado de rios voadores, onde as árvores lançam a água do solo para a atmosfera. Então, sem florestas, sem chuva. Sem árvores, sem água.

Está mais do que na hora da gente ajudar estes povos irmãos, pois também estamos sendo atingidos com toda esta modificação que veem fazendo no clima do mundo.

Assinem, por amor, esta petição:









"Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias ..."

(Um índio-Caetano Veloso)











sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Precisa-se de justiça



Brooke Shaden


“Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num lusco-fusco de consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos supomos ser. Nos melhores de nós vive a vaidade de qualquer coisa, e há um erro cujo ângulo não sabemos.
Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um espetáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão cenário.
Todo o mundo é confuso, como vozes na noite”.
Bernardo Soares(heterônimo de Fernando Pessoa)
Livro do Desassossego


Em outras palavras - eu não acreditei quando vi hoje, mais uma vez pela tv, uma idosa com Alzheimer, magra, debilitada, não oferecendo nenhuma resistência, sendo mal tratada pela cuidadora e descoberta pelas câmeras instaladas pela família.
Realmente, "por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão cenário".
Este e muitos outros de diversos aspectos, são dramas humanos pungentes que assolam o mundo e que nos arrebata a alma para a tristeza e desesperança.
E é neste mundo sombrio que devemos debater sobre as muitas questões morais que nos afetam, e que as prisões sejam verdadeiras para estes bandidos. Por mais confuso que se apresente este tempo, ainda estamos nele e por isso não devemos nos isentar de demonstrar nossa indignação e ajudar a iluminar o mundo com justiça.
















segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Uma visão azul.


-Pinterest-

Na semana passada eu cheguei numa sala de espera para ser atendida por uma médica e, mesmo o ambiente sendo fechado, sem janelas, fui recebida por uma recepcionista gentil e atenciosa, que pegou meus documentos e me disse que não iria demorar muito para ser atendida, pois esta médica costuma respeitar os horários marcados. Fiquei logo esperançosa, porque ficar em salas de consultórios médicos, com consultas agendadas para tempos distantes, sempre nos fazem ficar ansiosos e ressabiados com o atendimento que teremos pela frente. Geralmente, ficamos muito tempo na espera do dia e depois, muitos minutos aguardando nestas salinhas acanhadas e com pequenos televisores conectados no mesmo canal de sempre e bancos não muito confortáveis. Portanto, a sala era pequena, não tinha janelas, mas tinha o calor de um sorriso franco e humanizado. Não foi assim tão difícil a espera dos trinta minutos que fiquei ali, na salinha branca e sem graça!

Quando uma pessoa procura um médico, geralmente é porque não está bem ou está cheia de dúvidas com algo que lhe ocorre interiormente, senão a busca não teria sentido, afinal 'quem busca saúde não deve procurar doenças' e esta máxima eu sigo desde sempre, mas chega um dia em que as premências são bem claras e o jeito é enfrentar o diagnóstico médico e se tratar realmente.

Então, a sala da médica abriu-se e de lá saiu um paciente bem fortão, sorrindo e agradecendo a consulta. Ela, uma mulher jovem e muito sorridente, me cumprimentou com dois beijinhos (fiquei até espantada) e me adentrou à sua sala.

De repente, fui inundada por um azul impressionante. Nunca tinha visto nada igual na vida. Era a paisagem do céu azul, do mar azul e das montanhas ao longe, igualmente azuis.

Eu não sentei na poltrona destinada aos clientes, fui direto pra janela e fiquei falando, extasiada com o cenário à minha frente - "Que coisa mais linda! Nunca imaginei que deste prédio eu veria o mar?!"

Então, a médica me lembrou que estávamos no 21o.andar do edifício e que estava vendo por cima dos outros prédios.

Era esta a imagem: Só azul do céu e mar de Icaraí, a praia daqui da cidade em que moro. Daquela altura não se vê a areia e nem as pessoas, somente a paisagem, como num quadro vivo pendurado na pequena sala da médica. Suspirei fundo, que coisa mais linda!

Icaraí

E, passada a surpresa, sentei-me diante dela e ouvi a indefectível pergunta: E, aí, o que está acontecendo contigo, Beth?

Minha resposta não foi verbalizada, estava lá dentro do meu inconsciente:

“O médico perguntou: 
— O que sentes? 
E eu respondi: 
— Sinto lonjuras, doutor. 
Sofro de distâncias”.

Caio Fernando Abreu








quarta-feira, 5 de novembro de 2014

As Pedras-Obstáculos pelos caminhos.

-Pinterest-

Eu sempre achei que medir, avaliar, fazer juízo de valor de alguém ou mesmo de todo um povo, não é justo, não é sensato. A história existe para isso, para desmistificar paradigmas criados ou não deixar cair no esquecimento, a memória daqueles que foram um dia injustiçados.

No ano passado, escolhi o livro A Menina que roubava Livros para presentear pelo Booking Crossing uma pessoa desconhecida, e  que me acenou ter vontade de ler e conhecer esta história. Mas, não me foi atraente até o meio e, com toda alegria, dei-o aquela pessoa que ansiava por lê-lo.  Eu não havia gostado do livro, nem cheguei até o final do mesmo e fiquei com aquilo na cabeça, pois não era possível eu desistir de ler algo que tantos elogiavam, isso nunca havia acontecido antes. No entanto, fui ver o filme e aí me encantei com o final da história, pela primeira vez, achei o filme melhor do que um livro. 
A história do mesmo é uma reafirmação do que eu disse no primeiro parágrafo desse texto, ou seja, não devemos julgar todo um povo pelos crimes cometidos por seus governantes.

A arte em comunhão com a história faz homenagens bonitas para registrar a verdade que sempre vem à tona em algum momento desta nossa vida, seja em filmes, livros, quadros, óperas e até de um jeito surpreendente, como o artista alemão, Gunter Demnig  vem sendo reconhecido em seu país e outros da Europa, por seu projeto criativo e reflexivo, relembrando como o nacional-socialismo alemão fez tantas vítimas no Holocausto.

O projeto desse artista plástico, procura relembrar, na verdade,  todas os povos e minorias banidos pelo nazismo:  judeus, ciganos, homossexuais e Testemunhas de Jeová, entre outros. O projeto chama-se Stolpersteine"Pedras-Obstáculo" - são pequenos blocos de latão encaixadas na rua em frente de prédios, onde viviam ou trabalhavam vítimas dos nazistas. Até hoje há mais de 20.000 pedras em toda a Europa, sendo um dos maiores projetos de comemoração no mundo, fazendo com que as pessoas se inclinem para ler o que nelas está inscrito e com isso, prestem também uma reverência involuntária de respeito a cada um desses que perderam suas vidas pela intransigência ideológica de um povo e de uma época.


O Artista e sua homenagem eterna a todos que sofreram as injustiças humanas.



"Imagine não existir países
Não é difícil de fazer
Nada pelo que matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz.
Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade do Homem
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo"

John Lennon




segunda-feira, 3 de novembro de 2014

"A casa já não é a mesma de antes"


-Tumblr-

“Uma coisa é um homem, por engano, dirigir seu carro para a casa antiga, mas é algo bem diferente, eu creio, ele não reparar que as coisas mudaram dentro da casa. Mesmo a mente mais cansada ou distraída preserva um reduto de reações puras, animais, e consegue transmitir ao corpo a sensação do local onde está. Seria preciso estar quase inconsciente para não enxergar, ou pelo menos não sentir, que a casa já não era a mesma de antes. "O hábito", como diz um dos personagens de Beckett, é um grande entorpecente. E se a mente é incapaz de reagir diante de uma evidência física, o que fará ao se confrontar com uma evidência emocional?”.
Paul Auster


Este é o tipo de texto que lemos e paramos pra pensar um pouco, ele não é linear, ele precisa ser lido com as pausas das virgulas e com interpretação apurada. E foi o que eu fiz quando o li pela segunda vez, prestando atenção na mensagem inserida.
O texto é perfeito neste momento atual em que presenciamos uma revolução em nossa sociedade dividida. Tantas coisas mudaram e nem foram para melhor, ao contrário, retroagimos, estagnamos em valores éticos, morais e sociais. 
Assim sendo, ele reforçou meu pensamento na mudança que tanto sonhei assistir, pois sou uma pessoa que gosta de novidades, de ares frescos e não viciados, gosto de renovação em minha vida.
Nossa "casa" já não é mais a mesma 'e só quem não é tolo pode ver'.  
A frase final é forte, pode ser chocante para quem cair agora na realidade - "E se a mente é incapaz de reagir diante de uma evidência física, o que fará ao se confrontar com uma evidência emocional!?
Neste caso eu não temo, pois meus olhos estão abertos e minha consciência atenta aos sinais da necessidade de mudança.











quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Coragem, porque é pra frente que se anda!

-Foto Yo Neris-


Mas, somos fortes e muitos!  Reerguemos a cabeça e seguimos em frente, pois ainda teremos novas e luminosas manhãs.  E a imagem linda da minha amiga Yo Neris lá no Facebook, borboletas nas cores da nossa pátria, juntamente com esta bela poesia de Sophia de Mello, nos encorajam à vida e a beleza que há nela.

Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo, do irreal
E, calma, subirei até as fontes.

Irei até as fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora
E na face incompleta do amor,

Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa.
Que às vezes, como um voo me atravessa.
E nela cumprirei todo o meu ser.


Sophia de Mello Breyner Andersen