.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

sexta-feira, 3 de julho de 2015

O carro e o nosso lugar.



Precisamos nos dispor a abrir mão da vida que planejamos para podermos ter a vida que espera por nós.
 Joseph Campbell

Profundas discussões têm acontecido atualmente para o que chamamos de fase de transição que estamos vivendo. Os debates são ferrenhos e alguns valores que tínhamos, considerados óbvios, estão deixando de existir. É uma época de grandes inovações, de coisas que seriam impossíveis pensar há dez anos, mas que nos vemos obrigados a mudar, repensar, refletir, como por exemplo, o carro e os espaços que ocupam nas cidades, ou o máximo dos absurdos num anúncio: "Apartamento de 18 metros com duas vagas na garagem." E ainda temos que enfrentar políticos e taxistas que entram em guerra contra Apps como o Uber e contra a própria ideia de economia compartilhada que poderia baratear o uso dos transportes e tirar muitos carros das ruas, facilitando para todos.

Em todos os lugares do mundo vemos um excesso de carros, e percebemos cada vez mais que  não convivemos bem, juntos. As pistas não cabem mais os carros e os pobres pedestres se apertam em cantinhos para que os carros passem. A lógica que vivemos é a lógica do carro, mas podemos ter outra lógica, e isso é apenas, uma questão de hábito, uma questão de querer melhorar em aspectos de qualidade de vida. Vivemos um tempo, não apenas de poluição, mas de desumanidade, pois chegamos num ponto onde o carro tem mais valor do que seres humanos e tomam o lugar de várias pessoas no espaço urbano. Esta é uma questão que aponta diretamente para uma classe mais privilegiada e que tenha um melhor nível intelectual para entender e fazer mudar esta realidade.
Um simples exemplo ouvi noutro dia de uma repórter que sobrevoou dois grandes centros urbanos do Rio de Janeiro, onde no aspecto de relações humanas, excluindo obviamente o tráfico de drogas, uma favela como a Rocinha, por exemplo, mostrou mais espaço e convivência humanizada para as pessoas se relacionarem, caminharem em suas ruas, do que uma Barra da Tijuca, cheia de auto pistas e shoppings, mas que privilegia carros em excesso e as tais pistas alternativas somente para veículos.

O futuro aponta para o transporte público de qualidade e alternativo como as bicicletas, e a tecnologia irá, forçosamente,  criar novos meios de transportes, pequenos e objetivos.

Enquanto isso, podemos fazer a nossa parte, colaborando para menos veículos na ruas, cobrando dos governos soluções alternativas e práticas. A cidade muda de jeito quando a gente muda de hábitos.




As diversas crises que estamos atravessando estão a serviço do despertar da consciência coletiva. Estamos sendo levados a reconhecer nossos erros em relação às escolhas que fizemos até agora. Nossa cultura e nossos sistemas - social, econômico e político - têm se baseado no egoísmo, no medo da escassez e no ódio. Mas, para vivermos em um mundo melhor, precisamos converter essas forças destrutivas em altruísmo, confiança e amor.
___ Sri Prem Baba



quarta-feira, 24 de junho de 2015

As reflexões que a arte permite.



Arte - defini-la nos dias atuais é difícil, devido a tantas manifestações artísticas onde este conceito torna-se aberto, sem qualquer conjunto de propriedades definidoras.
Se para alguns não há qualquer tipo de emoção perante certas obras que são consideradas arte, para outros é pura magia ou deleite pessoal, ou seja, algumas obras podem ser arte para uns e não o ser para outros. 

Este é o caso da fotografia que atualmente vem crescendo e firmando-se em plenitude,  mostrando que é uma forma de arte que sensibiliza, carrega emoções, instiga o pensamento, expande ideias, ajuda-nos a ver o que antes não passava de mera sensação ou coisas despercebidas, capturando nossa atenção maior.

Foi assim que descobri esta fotógrafa abaixo e fiquei um tempo observando suas imagens que me revelaram a vida do outro, que também é parecida com a minha em nosso cotidiano urbano. Uma forma de arte que me levou à reflexão sobre nós, humanos e nossa intimidade.



Nova York é uma das cidades mais densamente povoada no mundo, e dentro dessas centenas de milhares de janelas estão vidas individuais mostrando-se para fora.

A fotógrafa Gail Albert Halaban fez essas imagens voyeuristas sobre andaimes e blocos residenciais em Nova Iorque.. Os moradores destes prédios e apartamentos aceitaram participar, colaboraram e foram iluminados especificamente para fazer estas incríveis fotos que exploram a experiência urbana como definição em nossas cidades. Sua arte tenta mostrar a tensão entre a vida pública e a privada, o que é visto por todos e o que é secreto, íntimo, pessoal.

A série Out My Window é uma coleção de imagens tomadas através de janelas de Nova Iorque e, apesar da fotógrafa reconhecer seu voyeurismo e o exibicionismo não dito, fazendo-nos refletir ou admitir que todos nós podemos exercitar isto também, assim como enfrentar a esperança, o isolamento e outras emoções que estão por trás do olhar.

"A arte evoca o mistério sem o qual o mundo não existiria." 

Magritte


















Imagens: Tumblr.



terça-feira, 16 de junho de 2015

Buscando paz na poesia


O que inspira, em palavras, os escritores para fazerem poesias?
Que métodos eles usam para desenvolver as ideias?
Talvez nenhum, talvez seja apenas algo que brota de uma alma mais sensível e que quer se desligar da dureza dos dias. Em outros casos, uma saída que ajuda a sublimar momentos complicados, delicados, dolorosos ou de difícil resolução.

O fato é que Poesia ajuda na criatividade, e é uma nova forma de aprendizado na maneira de como enxergar a vida.

Quando começamos a ler mais poesias, e a traduzir as palavras que os escritores transmitem, a inspiração surge em nós também como algo natural, e vamos tentando desenvolver, ao nosso modo e com nossas próprias palavras, o que sentimos sobre isso ou aquilo, sobre a natureza, sobre o homem, sobre os animais, sobre o que nos cerca de uma maneira geral. Pode parecer difícil para os que têm pouco talento, como eu, mas vale a tentativa para abstrair de alguma forma a complicada engrenagem da vida.


Deixo-te rosas no lugar de uma carta
elas representam as palavras que gostaria
de ter dito 
e  que deixem em suas mãos queridas 
o perfume em lembrança
do meu amor perdido.


A alegria de dois corações
batem juntos alegremente
no amor,
superando todos os desafios
inspirando graça, beleza
e cor.


Olho com deslumbramento 
o contorno da porta, as flores que a enfeitam
e penetro, sorrateiramente,
no mundo dos sonhos e dos desejos.
Me acho.

Pronto! Acabou a brincadeira, mas foi bom, relaxei, pensei, me envolvi com as imagens e com as palavras, realmente é um bom exercício este - poetar.
Completo com as palavras de um mestre nesta arte e que nos induz, em forma de oração, a ouvir e fazer poesias - Miguel Torga (1907-1995):

"Não tenhas medo, ouve: 
É um poema
Um misto de oração e de feitiço…
Sem qualquer compromisso, 
Ouve-o atentamente, 
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz… "

Miguel Torga




O novo layout do Mãe Gaia foi feito pela artista plástica e minha querida amiga, Teresinha Ferreira, a quem agradeço de coração.

-Imagens: Tumblr.